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Outubro 27 2011

A Ilha do Tesouro, de R. L. Stevenson

 

É certamente o livro mais conhecido deste autor. Narrada na primeira pessoa por Jim, um rapazinho que vive todos os aconteceimentos, é uma história de cortar a respiração, com tempestades, piratas, fantasmas, um homem com uma perna só, um papagaio, um tesouro enterrado numa ilha longínqua... Mal se consegue parar de ler.

 

Aqui vos deixo um bocadito do primeiro capítulo para aperitivo:

 

«(...)Nem preciso contar como tal personagem me assombrava em sonhos. Em noites de tormenta, quando o vento abalava os quatro cantos da casa e as vagas rugiam na enseada e contra as arribas, via-o com mil formas e mil expressões diabólicas. Umas vezes tinha a perna cortada pelo joelho, outras pelo quadril; depois era uma espécie de criatura monstruosa nascida só com a perna única, ao meio do corpo. Vê-lo saltar e correr e perseguir-me por cima de sebes e valas era o pior de todos os pesadelos. Em suma, era um preço bem caro para a minha moeda mensal de quatro dinheiros, que tinha de pagar na forma de tais visões abomináveis.

Mas, embora andasse tão aterrorizado pela ideia do marinheiro duma perna só, era eu quem do próprio capitão tinha menos medo do que qualquer outra pessoa que o conhecesse. Noites havia em que tomava um pedaço mais de rum com água do que a cabeça lhe podia suportar; então, ficava por vezes sentado a cantar aquelas velhas cantigas do mar maliciosas e depravadas, sem se importar com ninguém; mas por vezes encomendava rodadas de copos, obrigando todos os presentes assustados a ouvir-lhe as histórias ou a acompanhá-lo em coro. E tantas vezes senti a casa estremecer com o “Aiou-ou-ou e uma garrafa de rum”, os vizinhos todos a participar por amor à vida, subjugados pelo medo da morte, com cada um a cantar mais alto

para evitar ser chamado à ordem. Pois quando lhe davam estes ataques, era o parceiro mais possessivo que já se viu; com palmadas na mesa ordenava o silêncio completo; lançava-se numa paixão de raiva se lhe faziam uma pergunta ou, outras vezes, se não lhe faziam nenhuma, concluindo que não estavam a dar ouvidos à sua história. Nem deixava ninguém sair da estalagem até ele próprio ter bebido a ponto de cair de sono e ir de roldão para a cama.

As narrativas eram o que mais assustava as pessoas. Eram histórias terríficas: de enforcamentos, do castigo da prancha no mar, tempestades, as Tortugas Secas, feitos selvagens e lugares no continente espanhol da América. Pelo que contava, devia ter vivido toda a vida entre os piores malfeitores que Deus jamais pusera sobre o mar; e a linguagem em que as contava chocava os nossos simples aldeões quase tanto como os crimes que descrevia. O meu pai estava sempre a dizer que a hospedaria acabava em ruína, porque as pessoas dentro em breve deixariam de lá entrar para serem tiranizadas e oprimidas, e ficarem arrepiadas à hora de deitar; mas em verdade creio que a presença dele nos fez bem. (...)»

 

Embora o tenhamos nas nossasprateleira, aqui fica o link para uma tradução em pdf (em português do Brasil) : http://www.coedup.com.br/anterior/Robert%20Louis%20Stevenson%20-%20A%20ilha%20do%20tesouro.pdf

 

 O livro foi adaptado ao cinema por mais do que uma vez. Eis um excerto de uma adaptação de 1990:

 

 
Aliás, uma pesquisa no Youtube deixar-vos-á ver o filme na íntegra. Se alguém estiver a pensar em paresentar o livro na aula, eis alguns links interessantes:
 
 
http://pt.wikipedia.org/wiki/Robert_Louis_Stevenson - o artigo da wikipedia referente ao autor (em português do Brasil)
 
 

 

 

 

 

publicado por beespalmela às 15:25

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