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Abril 26 2012

 

As Pupilas do Senhor Reitor, de Júlio Dinis

 

É, dos livros deste autor, um dos que melhor se lêem. A história, com muitos amores e desencontros, prende o leitor pela quantidade de peripécias, as personagens são magníficas criações e tem até a sua dose de cenas cómicas, para quem quer rir um bocado.

Faz parte da lista do PNL e, embora o tenhamos nas nossas prateleiras, aqui fica o link para uma boa versão em PDF:

http://web.portoeditora.pt/bdigital/pdf/NTSITE99_PupSrReitor.pdf

 

e pra outra versão que se pode ler online:

http://www.biblio.com.br/defaultz.asp?link=http://www.biblio.com.br/conteudo/juliodinis/aspupilas.htm

Se alguém quiser apresentá-lo na aula, aqui ficam uns links úteis:

http://pt.shvoong.com/books/novel-novella/503547-pupilas-senhor-reitor/ - uma boa análise

 

http://www.infopedia.pt/$as-pupilas-do-senhor-reitor,2 - outra boa análise

 

http://papeldeumlivro.blogspot.pt/2012/02/resenha-as-pupilas-do-senhor-reitor.html - análise muito engraçada, num blogue, com uma pequena sinopse e tudo (em português do Brasil)

 

http://www.fflch.usp.br/dlcv/posgraduacao/ecl/pdf/via01/via01_06.pdf - um trabalho universitário, muito interessante, mas nada fácil! (em português do Brasil)

 

http://www.olivreiro.com.br/livros/1857981- sinopse de uma livraria online (em português do Brasil)

 

http://pt.wikipedia.org/wiki/J%C3%BAlio_Dinis - artigo da wikipedia sobre o autor

 

http://www.infopedia.pt/$julio-dinis - artigo da infopedia sobre o autor

 

E aqui fica ainda o link para o filme de 1953, no youtube (é apenas o 1º, podem ver todos):

 

 

 

 

 

 

 

 

publicado por beespalmela às 15:25

Abril 23 2012

 ... na semana em que celebramos o 25 de Abril, nem podia deixar de ser um livro sobre o acontecimento. Vinte cinco a sete vozes, de Alice Vieira é um livro muito especial. Uma estudante universitária prepara um trabalho sobre o 25 de Abril de 1974 e, para isso, entrevista sete pessoas de três gerações diferentes. Desde o adolescente para quem é apenas mais um feriado até um avô que viveu a ditadura e celebra a revolução, passando por professoras que relatam a sua experência, as sete vozes formam um retrato multifacetado de um momento da nossa história recente.

Aqui fica um pequeno excerto:

«Mas então a nossa conversa vai ser sobre o 25 de Abril de 1974, não é? Nessa altura eu já não estava na escola onde o Paulo andou, tinha sido colocada mais cá para baixo, numa aldeia chamada Vale de Mu, lá para a serra do Caldeirão. Aquilo era uma terra onde não ha­via nada, nem vinha no mapa, a escola não tinha condições nenhumas, mas nenhumas! »

 

 

 

 

 

Para que possam fazer a vossa própria leitura, e a completar o livro, que é pequeno e se lê de uma vez, aqui fica o link para o filme «Capitães de Abril» no youtube.com:

 

 

 

 

publicado por beespalmela às 17:29

Fevereiro 23 2012

 

Contos da Montanha, de Miguel Torga

 

     Durante muitos anos foi leitura quase obrigatória nos manuais de Português, agora parece um pouco esquecido. No entanto, este livro de contos é uma coleção de pequenas maravilhas.

     Os contos deste autor falam-nos de uma Trás-os-Montes que já não existe, feita de aldeias isoladas, onde as pessoas
nasciam, vivam e morriam em meia dúzia de quilómetro quadrados que eram, para elas, todo o mundo; de fragas e montanhas intransponíveis e dos poucos que as transpunham para ir à aventura. «Para lá do Marão, mandam os que lá estão.», dizia-se e, quando estes contos foram escritos assim era, realmente.

 

Aqui fica o link para um interessante programa de radiofonico em podcast sobre este livro:

http://www.mixcloud.com/inessaraiva/contos-da-montanha-miguel-torga-parte-1/

http://www.mixcloud.com/inessaraiva/contos-da-montanha-miguel-torga-parte-2/

 


Fevereiro 06 2012
 

Oliver Twist, de Charles Dickens

 

Comemora-se amanhã, 7 de fevereiro, o 200º aniversário do nascimento do grande romancista inglês. Não podíamos deixar passar esta data sem falar deste escritor - considerado um dos maiores nomes da literatura inglesa e também do romance mundial, Dickens falou da cidade de Londres com tal pormenor que a sua obra é usada para estudar a Londres vitoriana. Excelente observador e grande contador de histórias, Dickens deixou-nos uma série de grandes romances, obras de leitura apaixonante e que deram já origem a mais de uma centena de adaptações cinematográficas.

O livro desta semana está nas nossas prateleiras e é um dos mais lidos e amados da obra de Dickens.

 Oiginalmente publicado em episódios num jornal, entre 1837 e 1839 conta a história de  Oliver Twist, um órfão nascido e criado numa cruel workhouse que explora os pobres. Acaba por fugir mas apenas para entrar em conflito com o submundo de Londres. É recrutado para uma quadrilha de pequenos ladrões, mas após uma série de peripécias, é salvo por um cavalheiro gentil que descobre a verdadeira identidade de Oliver e, finalmente, lhe proporciona um lar feliz.
A história é um dos romances mais famosos de Dickens e inclui algumas das suas personagens mais marcantes, incluindo o judeu Fagin, mentor da quadrilha infantil e  Artful Dodger, pequeno carteirista. Como muitas das obras de Dickens, o romance contém uma grande dose de crítica social sobre a forma como a sociedade britânica da época tratava os seus pobres. De particular interesse é a famosa cena em que o Oliver, cheio de fome implora por mais papas de aveia e é severamente punido.
A história foi adaptada ao cinema várias vezes ao longo dos anos, com várias interpretações e reintterpretações da história original. A versão cinematográfica de 1968 foi tão bem-sucedida que ganhou o prémio de Melhor Filme daquele ano.

 

Eis o trailler da mais recente versão cinematográfica, com realização de Roman Polansky:

 

 

 

 

 Links de interesse para quem quiser ler o livro sem gastar dinheiro e/ou apresentá-lo numa aula:

 

http://www.superdownloads.com.br/download/185/oliver-twist-machado-de-assis/redir.html - versão integral em português do Brasil, tradução do escritor brasileiro Machado de Assis

 

http://www.cliffsnotes.com/study_guide/literature/Oliver-Twist-Book-Summary.id-104.html - boa análise (em inglês)

 

http://www.novelguide.com/olivertwist/themeanalysis.html - excelente análise, muito completa (em inglês)

 

http://blogdomariojunior.blogspot.com/2008/11/oliver-twist.html - pequeno comentário pertinente e bem escrito - a propósito do filme de Polansky - em português

 

http://nlivros.blogspot.com/2008/06/oliver-twist-charles-dickens.html - breve post sobre o livro, num blog de leituras - em  português

 

http://www.companhiadasletras.com.br/detalhe.php?codigo=40377 - breve sinopse em português numa livraria online

 

http://www.netsaber.com.br/resumos/ver_resumo_c_43262.html - um resumo em português do Brasil, muito bem feito

 

http://pt.wikipedia.org/wiki/Charles_Dickens - página da wikipedia dedicada ao autor

 

http://educacao.uol.com.br/biografias/charles-dickens.jhtm - breve biografia do autor em português do Brasil

 

 

 

 


Janeiro 26 2012

Memorial do Convento, de José Saramago.

 

É uma das obras de leitura obrigatória para o 12º ano, por isso pensei dedicar este post aos meus alunos do 12º. Assim, podem ler o Memorial nas férias da Páscoa (quem ainda não o leu) e consultar os documentos que aqui lhes deixo para apoio:

 

http://pt.wikipedia.org/wiki/Memorial_do_Convento - verbete da wikipedia, muito bem feito

 

http://www.notapositiva.com/pt/textapoiobs/portugues/12memorialconvento.htm - uma análise muito boa

 

http://projectoviarapida.wikispaces.com/file/view/Microsoft+PowerPoint+-+MEMORIAL+DO+CONVENTO-an%C3%A1lise.pdf - um Power Point taõ bom que penso passá-lo na aula

 

 http://sincronia.cucsh.udg.mx/costainv02.htm - um interesante trabalho universitário sobre o papel da mulher no Memorial do Convento

 

 

 

Aqui fica, para alegar os olhos e abrir o apetite, um fragmento de uma adaptação teatral que foi particularmente feliz:

 

 

 

 

publicado por beespalmela às 15:41

Janeiro 09 2012

 O Ano da Morte de Ricardo Reis, de José Saramago.

 

A ideia para este romance é de génio. Nos apontamentos de Pessoa relativamente aos seus heterónimos mais conhecidos, não consta a data da morte de Ricardo Reis. Assim, no romance de Saramago, Ricardo Reis regressa a Lisboa em 1936, depois da morte de Fernando Pessoa, após 16 anos de exílio no Brasil, para onde partira após a implantação da República. Ao longo de alguns meses, ele vai ver a Lisboa do salazarismo, vai alugar casa, vai apaixonar-se, vai conversar muito com o sue falecido amigo Fernando - «(...)acho que é por uma questão de equilíbrio, antes de nascermos ainda não nos podem ver mas todos os dias pensam em nós, depois de morrermos deixam de poder ver-nos e todos os dias nos vão esquecendo um pouco,(...)» - e, finalmente, vai retirar-se da vida na companhia deste.

 

Link para o PDF do livro:

http://livrosdigitais.files.wordpress.com/2010/03/saramago-o-ano-da-morte-de-ricardo-reis.pdf

 

Quem estiver a pensar apresentar o livro em aula, eis alguns links interessante e úteis:

 

http://www.fflch.usp.br/dlcv/posgraduacao/ecl/pdf/via05/via05_11.pdf - um trabalho universitário, em português do Brasil, muito interessante;

 

http://www.cfh.ufsc.br/~magno/anodamortericardoreis.htm - também em português do Brasil, uma boa análise do livro;

 

http://www.kplus.com.br/materia.asp?co=278&rv=Literatura - ainda em português do Brasil, um estudo sobre o tratamento do tempo no romance;

 

http://esdica.pt/contratos-de-leitura/Portugues/O%20Ano%20da%20Morte%20de%20Ricardo%20Reis.htm - uma pequena sinopse, muito útil;

 

http://www.ufjf.br/revistaipotesi/files/2011/06/ano-da-morte.pdf - uma análise da presença da História no romance;

 

http://www.estantedelivros.com/2009/08/o-ano-da-morte-de-ricardo-reis.html - pequena crítica, com sinopse básica incluída;

 

http://www.letras.ufmg.br/cesp/textos/(1999)02-O%20ano.pdf - mais um interessante trabalho universitário;

 

http://pt.wikipedia.org/wiki/Jos%C3%A9_Saramago - artigo da wikipedia sobre o autor.

 

 

 

 

 

 

publicado por beespalmela às 17:38

Novembro 28 2011

... dedicado ao secundário e a quem prefere outra coisa, que não seja ficção.

 CARTAS A UM JOVEM POETA, de Rainer Maria Rilke

 

Quem já pensou vir a ser escritor, tem absolutamente que ler este livro.

 

Uma livraria online brasileira, apresenta deste livro a seguinte sinopse:

«Cartas a um Jovem Poeta

      Paris, fevereiro de 1903. Rainer Maria Rilke (1875-1926) recebe uma carta de um jovem chamado Franz Kappus, que aspira tornar-se poeta e que pede conselhos ao já famoso escritor.

   Tal missiva dá início a uma troca de correspondência na qual Rilke responde aos questionamentos do rapaz e, muito mais do que isso, expõe suas opiniões sobre o que considerava os aspectos verdadeiros da vida.

   A criação artística, a necessidade de escrever, Deus, o sexo e o relacionamento entre os homens, o valor nulo da crítica e a solidão inelutável do ser humano: estas e outras questões são abordadas pelo maior poeta de língua alemã do século XX, em algumas das suas mais belas páginas de prosa.»

 

 

 

 

 

 

Links úteis:

http://www.releituras.com/rilke_cartpoeta.asp - a primeira carta e uma boa, embora breve, biografia do autor

 

http://www.infoescola.com/livros/cartas-a-um-jovem-poeta/ - uma boa  sinopse, mais alargada do que é costume em livrarias

 

http://fernandajimenez.com/2011/03/01/cartas-a-um-jovem-poeta-rainer-maria-rilke/ - uma boa análise, breve e certeira, com informação sobre a vida do autor

 

http://www.recantodasletras.com.br/resenhasdelivros/822539 - mais uma boa análise

 

 http://www.4shared.com/get/6h8xtsWE/Rainer_Maria_Rilke_-_Cartas_a_.html - uma versão em pdf (em português do Brasil)

 

http://pt.wikipedia.org/wiki/Rainer_Maria_Rilke - o artigo da wikipedia sobre o autor


Novembro 17 2011

 

As Viagens de Gulliver, de Jonathan Swift

 

Antes de começarem a rir e acharem que é um livro para miúdos, leiam isto até ao fim.

Este livro foi escrito em 1726, altura em que o próprio conceito de literatura infantil não existia. O autor, irlandês de nascimento e homem da Igreja pretendeu com este livro fazer uma impiedosa sátira à sociedade do seu tempo. Para isso, utilizou um estratagema muito próximo do que hoje se faz em alguma ficção científica: criou terras inexistentes e dotou-as dos defeitos que via na sua, caricaturando cada coisa até se perceber quão ridícula ela era - por exemplo, o sistema bipartidário inglês está caricaturado à perfeição nas duas facções que exitem na corte de Lilliput e que se distinguem... pelo lado por onde começam a comer os ovos cozidos!

 

Eis aqui um pequeno excerto:

« (...)

Estas duas poderosas potências têm, como ia dizendo, andado empenhadas, durante trinta e seis luas, numa guerra muitíssimo acesa, e motivada pelo seguinte: toda gente concorda em que a maneira primitiva de partir os ovos antes de serem comidos, é bater com eles no rebordo de qualquer prato ou copo; mas o avô de Sua Majestade imperial, em criança, estando para comer um ovo, teve a infelicidade de cortar um dedo, o que deu motivo a que o imperador, seu pai, lavrasse um decreto, em que ordenava aos seus súditos, sob graves penas, que partissem os ovos pela extremidade mais delgada. Este decreto irritou tanto o povo, que consoante narram os nossos cronistas, houve por essa época seis revoltas, em uma das quais um imperador perdeu a coroa. Estas questiúnculas intestinas foram sempre fomentadas pelos soberanos de Blefuscu e, quando as sublevações foram sufocadas, os culpados refugiaram-se neste império. Pelas estatísticas que se fizeram, onze mil homens, em diversas épocas, preferiram morrer a submeter-se ao decreto de partir os ovos pela extremidade mais delgada. Foram escritas e publicadas centenas de volumosos livros acerca deste assunto; mas os livros que defendiam o modo de partir os ovos pela extremidade mais grossa foram proibidos desde logo, e todo o seu partido foi declarado incapaz de exercer qualquer função pública. Durante a ininterrupta série daqueles motins, os imperadores de Blefuscu fizeram freqüentes recriminações por intermédio dos seus embaixadores, acusando-nos de praticar um crime, violando um preceito fundamental do nosso grande profeta Dustrogg, no quinquagésimo quarto capítulo de Blundecral (que é o seu Corão). Isto, porém, foi considerado como uma simples interpretação do sentido do texto, cujos termos eram: que todos os fiéis quebrarão os ovos pela extremidade mais cômoda. Na minha opinião, deve deixar-se à consciência de cada um a resolução de qual seja a extremidade mais cômoda, ou pelo menos, é à autoridade do soberano magistrado que compete resolver. Ora, os partidários da extremidade mais grossa, que se encontravam exilados, viram tanta deferência na corte do imperador de Blefuscu e tanto auxílio e apoio no nosso próprio país, que se seguiu uma guerra sanguinolenta entre os dois impérios, guerra que durou trinta e seis luas, com vário êxito para cada uma das partes. Nesta guerra perdemos quarenta naus de linha e um grande número de navios com trinta mil dos nossos mais valentes marinheiros e soldados; dá-se como certo que a perda sofrida pelo nosso inimigo não foi inferior. Seja como for, o que é fato é que os de Blefuscu preparam agora uma temível esquadra, para operar um desembarque nas costas do nosso império. Ora, Sua Majestade imperial, tendo a máxima confiança na vossa coragem, e tendo em altíssimo apreço a vossa força, pediu-me que vos pormenorizasse todos estes assuntos, a fim de saber quais as vossas disposições a respeito de semelhante assunto.(...)»

 

 

De resto, a viagem a Lilliput é apenas a primeira de uma longa série de viagens, cada uma mais esclarecedora do que a anterior.

 

Há várias adaptações desta obra ao cinema. Recomendo uma, que além de ser muito fiel à obra completa, tem o atractivo acrescido para nós de ter sido filmada, em parte, em Lisboa. 

 

Aqui fica uma amostra:

 

 

Quem estiver a pensar em apresentar o livro na aula - o que é uma boa ideia - aqui ficam links úteis:

 

http://www.ebooksbrasil.org/eLibris/gulliver.html - a obra integral (em português do Brasil)

 

http://www.recantodasletras.com.br/artigos/2090025 - uma boa análise (em português do Brasil)

 

http://www.ufsj.edu.br/portal-repositorio/File/revistalapip/machado_viana_artigo.doc - magnífico trabalho universitário, com dados sobre o autor e a obra (em português do Brasil)

 

http://colunistas.ig.com.br/livros/tag/viagens-de-gulliver/ - boa análise, talvez demasiado concisa, mas bem escrita

 

http://web03.unicentro.br/pet/pdf/09_kelly.pdf - mais um trabalho universitário (em português do Brasil) encarando precisamente a questão da sátira social e política

 

http://pt.wikipedia.org/wiki/As_Viagens_de_Gulliver - artigo da wikipedia sobre o livro

 

http://pt.wikipedia.org/wiki/Jonathan_Swift - artigo da wikipedia sobre o autor


Novembro 07 2011

Dedicado aos alunos do 9º ano que gostam de ler

 

 

A rapariga que roubava livros, de Markus Zusak

 

É um livro muito recente. Tem como narradora... a Morte, e conta a história de uma menina que, durante o terrível período do nazismo, encontra a Morte por três vezes, mas continua viva, apesar de perder quase todas as pessoas de quem gosta. A sua paixão pela leitura e pelas palavras leva-a a roubar livros. É uma leitura apaixonante, que revela o poder das palavras e dos livros, mesmo nos momentos mais difíceis.

 

Aqui ficam os parágrafos iniciais, em português do Brasil, só para abrir o apetite:

 

«Morte e Chocolate

Primeiro, as cores.

 

Depois, os humanos.

Em geral, é assim que vejo as coisas.

Ou, pelo menos, é o que tento.

 

EIS UM PEQUENO FATO

Você vai morrer.

Com absoluta sinceridade, tento ser otimista a respeito de todo esse assunto,
embora a maioria das pessoas sinta-se impedida de acreditar em mim, sejam quais
forem meus protestos. Por favor, confie em mim. Decididamente, eu sei ser
animada, sei ser amável. Agradável. Afável. E esses são apenas os As. Só não me
peça para ser simpática. Simpatia não tem nada a ver comigo.

reação ao fato supracitado

Isso preocupa você?

Insisto — não tenha medo.

Sou tudo, menos injusta.

 

— É claro, uma apresentação.

 

Um começo.

 

Onde estão meus bons modos?

 

Eu poderia me apresentar apropriadamente, mas, na verdade, isso não é
necessário. Você me conhecerá o suficiente e bem depressa, dependendo de uma
gama diversificada de variáveis. Basta dizer que, em algum ponto do tempo, eu me
erguerei sobre você, com toda a cordialidade possível. Sua alma estará em meus
braços. Haverá uma cor pousada em meu ombro. E levarei você embora
gentilmente.

 

Nesse momento, você estará deitado(a). (Raras vezes encontro pessoas de pé.)
Estará solidificado(a) em seu corpo. Talvez haja uma descoberta; um grito
pingará pelo ar. O único som que ouvirei depois disso será minha própria
respiração, além do som do cheiro de meus passos.

 

A pergunta é: qual será a cor de tudo nesse momento em que eu chegar para
buscar você? Que dirá o céu?

 

Pessoalmente, gosto do céu cor de chocolate. Chocolate escuro, bem escuro. As
pessoas dizem que ele condiz comigo. Mas procuro gostar de todas as cores que
vejo — o espectro inteiro. Um bilhão de sabores, mais ou menos, nenhum deles
exatamente igual, e um céu para chupar devagarinho. Tira a contundência da
tensão. Ajuda-me a relaxar.

uma pequena teoria

As pessoas só observam as cores do dia

no começo e no fim,

mas, para mim, está muito claro que o

dia se funde através de

uma multidão de matizes e entonações,

a cada momento que passa.

Uma só hora pode consistir em milhares

de cores diferentes.

Amarelos céreos, azuis borrifados de

nuvens. Escuridões enevoadas.

No meu ramo de atividade, faço questão

de notá-los.

Já que aludi a ele, o único dom que me salva é a distração. Ela preserva
minha sanidade. Ajuda-me a agüentar, considerando-se há quanto tempo venho
executando este trabalho. O problema é: quem poderia me substituir? Quem tomaria
meu lugar, enquanto eu tiro uma folga em seus destinos-padrão de férias, no
estilo resort, seja ele tropical, seja da variedade estação de inverno? A
resposta, é claro, é ninguém, o que me instigou a tomar uma decisão consciente e
deliberada — fazer da distração minhas férias. Nem preciso dizer que tiro férias
à prestação. Em cores.

 

Mesmo assim, é possível que você pergunte: por que é mesmo que ela precisa de
férias? De que precisa se distrair?

 

O que me traz à minha colocação seguinte.

 

São os humanos que sobram.

 

Os sobreviventes.

 

É para eles que não suporto olhar, embora ainda falhe em muitas ocasiões.
Procuro deliberadamente as cores para tirá-los da cabeça, mas, vez por outra,
sou testemunha dos que ficam para trás, desintegrando-se no quebra-cabeça do
reconhecimento, do desespero e da surpresa. Eles têm corações vazados. Têm
pulmões esgotados.

 

O que, por sua vez, me traz ao assunto de que lhe estou falando esta noite,
ou esta manhã, ou seja lá quais forem a hora e a cor. É a história de um desses
sobreviventes perpétuos — uma especialista em ser deixada para trás.

 

É só uma pequena história, na verdade, sobre, entre outras coisas:

 

* Uma menina

 

* Algumas palavras

 

* Um acordeonista

 

* Uns alemães fanáticos

 

* Um lutador judeu

 

* E uma porção de roubos

Vi três vezes a menina que roubava livros.»

 

O livro é tão recente que (ainda) não está adaptado ao cinema. Se quiserem conhecer a história, terão mesmo que o ler. Está nas nossas prateleiras à vossa espera.

Se alguém pensar em apresentá-lo na aula, aqui ficam alguns links de utilidade:

http://leiturasemclube.blogspot.com/2011/07/rapariga-que-roubava-livros-markus.html - um bom blogue sobre livros, artigo sobre ESTE livro

http://magia-livros.blogspot.com/2011/06/rapariga-que-roubava-livros.html - outro blogue sobre livros - apesar de alguns erros, que revelam um(a) autor(a) muito jovem, o artigo sobre o livro é interessante

http://www.livrariacultura.com.br/scripts/resenha/resenha.asp?sid=94652261113117589176692474&nitem=1859015 - site de uma livraria brasileira, com uma boa sinopse do livro

http://pt.wikipedia.org/wiki/Markus_Zusak - artigo (breve, porque ele é muito jovem ainda) da wikipedia sobre o autor, cuja fotografia deixo aqui:

 

 

 

 


Novembro 03 2011

A Porta do Tempo - 1º volume da Colecção Ulysses Moore, de Pierdomenico Baccalario

 

Esta é uma colecção verdadeiramente fascinante. Se pegares no primeiro volume, provavelmente só consegues parar quando os leres todos - e serão 12 quando a série estiver completa - 6 da primeira série e 6 da segunda - resta-nos esperar...

Sem querer desvendar demasiado, vejamos: os heróis acabam de se mudar para uma terra que descobrem que não vem em nenhum mapa, tem na praça uma estátua de um rei que nunca existiu, e recebem pelo correio umas estranhas chaves... garanto que é uma leitura de cortar a respiração.

 

Aconselho ainda que passem pelo site da colecção, cheio de coisas interessantes:

 

http://minisites.presenca.pt/ulyssesmoore/site/index.php

 


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