«Durante a noite de 9 de Março de 1860, as nuvens, confundindo-se com o mar,
limitavam a poucas braças o alcance da vista.
Nesse mar agitado, cujas vagas rebentavam projectando clarões lívidos,
corria quase que em mastreação seca um ligeiro barquito.
Era um iate de cem toneladas - uma escuna, nome que se dá às galeotas na
Inglaterra e na América.
Essa escuna chamava-se Sloughi, e debalde se tentaria ler tal nome nos alforges
da popa, pois um acidente qualquer - golpe de mar ou algum abalroamento -
tinha-o arrancado quase todo com parte das mesas reais.
Eram onze horas da noite. Debaixo dessa latitude, no começo do mês de
Março, as noites são ainda curtas. Os primeiros alvores do dia só deviam
aparecer por volta das cinco horas da manhã. Mas os perigos que ameaçavam o
Sloughi seriam menores quando o Sol iluminasse o espaço? A frágil embarcação
não ficaria sempre à mercê das ondas? Com certeza; e a inquietação da mareta, a
calmaria do vento eram as únicas coisas que a podiam salvar do mais horrível
naufrágio - o que se dá em pleno oceano, longe de toda e qualquer praia sobre a
qual os sobreviventes achariam a salvação!»
Assim começa Dois Anos de Férias, romance de Júlio Verne. A edição que temos nas nossas prateleiras é em dois volumes, mas são pequeninos, não se deixem intimidar! E já pensaram, DOIS ANOS DE FÉRIAS????
Os heróis são gente das vossas idades e é apaixonante ver como vencem os obstáculos.
Se estiverem a pensar que é um bom livro para apresentar numa aula de Língua Portuguesa, aqui fica uma ajudinha:
http://pt.wikipedia.org/wiki/J%C3%BAlio_
http://jverneportugal.no.sapo.pt/ - um bom site sobre Júlio Verne
http://jornalistamasini.wordpress.com/20